As bicicletas no Parque

Quando achamos que o mundo devia ser diferente, o que podemos fazer? Temos duas hipóteses: reclamar, reclamar, reclamar, ou então fazer alguma coisa para irmos empurrando o mundo em direcção ao que achamos ser melhor.

Quando digo mundo, podia dizer cidade, país — ou mesmo bairro.

Ora, apresento-vos um projecto que opta pela segunda opção: a Cicloficina do Oriente.

Os responsáveis pela Cicloficina do Oriente — Gonçalo Peres e João Bernardino — estão convencidos que o nosso bairro e a nossa cidade seriam muito melhores se mais gente usasse a bicicleta: acham que haveria menos trânsito, menos acidentes, mais exercício físico, mais encontros entre todos, mais espaço para as crianças nas ruas da nossa cidade.

Para divulgar esta ideia, têm de lutar contra muitas ideias falsas: que Lisboa é uma cidade com demasiadas colinas, que não podemos levar os filhos de bicicleta para a escola, que as bicicletas atrapalham os carros…

O que fazem? Dão o exemplo: mostram-se a andar de bicicleta. Explicam esta causa a quem os quer ouvir e esclarecem dúvidas. E, mais: gratuitamente, uma vez por mês, ajudam a reparar bicicletas e dão conselhos gratuitos, na já famosa Bike Mãozinhas, nas primeiras terças-feiras de cada mês.

Estão, claro, no Facebook. Colaboram voluntariamente com a Junta de Freguesia e com a Câmara Municipal. Participam nos trabalhos da Associação de Moradores. Organizam passeios e vão trazendo, pessoa a pessoa, os moradores do nosso bairro para esta causa: a causa da bicicleta e, consequentemente, da qualidade de vida.

Teriam outra opção? Sim, podiam ficar a um canto a reclamar, a dizer mal dos carros, sem nada fazer. Escolharem a opção que pode, de facto, mudar as coisas.

Contra ninguém, a favor de todos, vamos lá andar mais de bicicleta!

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Os dinossauros e os miúdos

Por alguma razão que os adultos não compreendem completamente, os miúdos adoram dinossauros. Talvez seja o mistério duns animais gigantes que sobreviveram durante tantos milhões de anos, talvez seja a aventura de descobrir ossadas quais Indiana Jones, talvez seja a imaginação delirante das crianças a conjugar-se perfeitamente com estes animais descomunais, de formas misteriosas, comportamentos selvagens, inteligência difícil de entender.

Depois, há aquele evento final, que parece tirado da imaginação acelerada dum guionista de Hollywood: uma rocha do tamanho dum pequeno mundo embate contra a Terra e mata toda essa sociedade de dinossauros — quase todos, porque alguns sobreviveram e transformaram-se nos pássaros que todos conhecemos.

Seja o que for, a realidade é que os miúdos adoram estes animais extintos — e agora têm uma exposição no Pavilhão de Portugal onde podem ficar de boca aberta perante modelos em tamanho real desses bichos antigos. Os adultos acompanham-nos e ficam a pensar no simples facto que os dinossauros sobreviveram mais de cem milhões de euros. Os seres humanos andam por cá há dois milhões de anos. Fica a vertigem do tempo à escala geológica — e os gritos dos miúdos, entusiasmados um tempo em que o território que hoje é Portugal estava encostado ao que hoje é o continente americano.

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Já conhece a Marcha Popular do Parque das Nações?

Muita gente torce o nariz ao conceito: uma marcha popular num bairro destes? Num bairro tão novo e sem tradição? Num bairro que ainda mal faz parte da cidade e está tão longe dos bairros onde as marchas são uma tradição de décadas?

Ora, por isso mesmo, a nossa Marcha é importante: para destruir algumas ideias feitas e para coroar simbolicamente o processo de integração da nossa freguesia na cidade de Lisboa.

Além disso, não se esqueçam, o Parque não se limita à Expo e respectiva zona de intervenção: inclui também os bairros antigos e de larga tradição da zona poente e uma rua que hoje poucos conhecem, mas que já foi uma das principais saídas de Lisboa: a Rua da Centieira. O Grupo Recreativo Centieirense está, aliás, a apoiar activamente na organização da Marcha.

Assim, a Associação de Moradores (AMCPN) candidatou-se à participação nas Marchas de Lisboa de 2014. Fizemos parte do sorteio para integração de novas marchas no concurso. Não tendo sido favorável à nossa candidatura, optámos por participar extra-concurso, porque esta edição das Festas de Lisboa é especial para nós: é a primeira vez que o Parque faz, todo, parte da cidade.

Uma participação extra-concurso é rara e não é aprovada facilmente. Mas a Câmara Municipal de Lisboa decidiu que o Parque das Nações merece fazer parte destas Marchas de Lisboa, por motivos óbvios. A nossa nova Junta de Freguesia também apoia esta organização, como não podia deixar de ser.

À frente da Marcha temos António Escolástico, um veterano nestas andanças, que já ganhou várias edições das Marchas de Lisboa. Marchantes, temos — extraordinariamente — muitos e bons. Não se deixem iludir pelas ideias pré-concebidas: muitas pessoas quiseram participar, vindas de todas as zonas da nossa freguesia e até de freguesia vizinhas.

Temos, também, como não podia deixar de ser, algumas dificuldades: como vamos desfilar na Avenida da Liberdade extra-concurso, não temos o habitual apoio da organização das Festas de Lisboa. Assim, precisamos de mais apoios de moradores e empresas: se quiser ajudar a construir a Marcha do Parque ou se conhece alguma empresa que queira ver o nome ligado a este evento de grande visibilidade, contacte a AMCPN através do email geral@amcpn.org.

Em conclusão: o Parque das Nações vai mesmo desfilar na Avenida da Liberdade. Estamos, por fim, em Lisboa — e fazemos parte, orgulhosamente, da mais famosa tradição da cidade.

(Já agora, conheça o site da Marcha. Para quem quer saber mais sobre esta tradição, encontrei este post sobre a história desta tradição.)

FESTAS DE LISBOA

Crónicas do Parque

Apetece ou não apetece estar ali sentado, naqueles bancos à beira-Tejo, a ler ou a conversar ou apenas a olhar o rio, com boa companhia ou numa solidão por vezes necessária? Há certos pontos de Lisboa que são um prazer para os olhos, como tanta gente já descobriu. O Parque das Nações tem uma série desses “pontos de honra” e este blog serve para os celebrar — e ainda para falar um pouco sobre o que é viver numa cidade, em Lisboa e nesta freguesia em particular. O resto logo se verá. Bem-vindos às Crónicas do Parque.

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